quinta-feira, 14 de julho de 2016

O engenheiro e a bailarina

Eu, tão cheio de fórmulas aritméticas
Tão cheio de pensamentos objetivos
Tão racional
Tão preocupado com o esboço do edifício e em como fazê-lo sólido
Me vi paralisado na imagem de uma bailarina
No palco, dançando
Tão leve, tão plena
Tão anônima pra mim
Suas formas lindas se mexem com tanta precisão
Precisão essa que nunca havia visto
Agora, eu me via preocupado com a fórmula de chegar até seu coração
Eu, tão duro e sistemático
Tão matemático e problemático
Me vi querendo me perder entre sua dança
Entre seus movimentos
Cada salto que ela dá, me bate aqui no peito
Me imaginei desfazendo seus cabelos presos como um broto de flor no topo da cabeça
E o cabelo se mostrando liso, caindo pelos ombros
Quero tirar suas sapatilhas
Quem sabe fazer uma massagem em seus pés
Doloridos 
Machucados
Mas toda essa dor vem da vontade dela de realizar o sonho de ver a platéia aplaudir e vibrar
Não por ela, mas pela dança tão perfeita que se mostra por meio dela
Bailarina, deixe-me fazer parte de seu espetáculo
Quero aprender a construir sorrisos em seu rosto
A projetar luz em seus olhos
Quero saber exatamente a medida de seus quadris e até onde meus dedos podem tocar
Eu que sempre fui descrente
Tão displicente com o amor
Me vi, num espetáculo de dança, completamente entregue à bailarina
Eu queria massagear seus pés provavelmente cansados
Bailarina, queria te tirar do palco e te levar para mim
Talvez fecharia a cortina 
Estou aqui, no teatro, a observar-te tão de longe e a imaginar como seria a nossa vida juntos, e você, tão livre no palco, sem nem desconfiar que um dia o seu espetáculo poderia acabar
Dance, bailarina! Dance! 
Salte, bailarina! Gire!
Esse é o seu mundo
Vou ficar a te olhar de longe
Não quero me aproximar, pois nunca me perdoaria se um dia a fizesse chorar por nunca mais poder dançar
Tão linda, tão plena
Despeço-me de ti com um beijo imaginário
Abro a cortina que fechei para você poder ir embora
E saltar
E dançar
E amar
E enfim
Ser feliz.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O meu lugar

Onde as montanhas encontram o céu
É lá onde quero morar
Quero me enraizar
É lá onde sinto o calor do sol que cora meu rosto
Sinto a brisa suave do vento beijar minha face quente desse sol
A natureza de onde quero morar é tão bela
Lá, eu encontro pessoas amigas que querem meu bem
Inveja e negatividade não tem
De longe vejo as montanhas
Pra que mar?
Vejo árvores e todas as vidas possíveis
A terra que firma meus pés é fresca
É sagrada
Sinto a terra embaixo dos meus pés
Sinto a natureza me abraçar
Procuro formigas, não quero pisá-las
Eu nunca havia reparado nas formigas!
No lugar onde quero morar, é cheio de borboletas que nunca vi igual
O vento que balança o mato, já crescido, ecoa paz
No lugar onde vou morar, tem um céu tão azul que é impossível de imaginar!
As nuvens que encobrem o céu, parecem algodão
E o céu à noite? 
Fotografia nenhuma seria fiel à realidade de estar lá
Sinto meu coração vibrar de alegria por saber que esse lugar existe
E está perto de mim
É aqui onde quero morar.