quarta-feira, 11 de julho de 2018

Espinho


Solta esse espinho da mão que faz sangrar suas costas. Limpa o sangue. Coloca curativos. Solta esse espinho. Não segura apertado na mão não porque ela também vai sangrar. É pior se alguém puxar. Eu sei que nos apegamos ao que também nos faz sofrer. Ao que dói. Ao que sangra. Ao que faz arder sem prelúdios de adeus. Sofremos, choramos, e pior de tudo: gostamos. Aquele amor sofrido de quem tem muita, muita pressa de se sentir amado por alguém que não é você mesmo. Quanto mais sofrido, melhor. Quanto mais machuca e arde, mais faz suspirar e querer? Será um ciclo doloroso que nunca tem fim? Estamos sobrevivendo de sentimentos saudáveis? O que ansiamos? Uma cura imediata do sentir? No fundo, queremos fazer brotar o desdém para não sentir mais nada? Será mais fácil apenas passar pela vida, protegendo o coração de sei lá o quê? De tanto sentir, de tanto espernear, de tanto sangrar, de tanto chorar, de tanto se rasgar, de tanto sofrer pra, no fundo, a nossa real vontade ser a de secar? De esgotar? De nunca mais sentir de novo?