Solta esse espinho da mão que faz
sangrar suas costas. Limpa o sangue. Coloca curativos. Solta esse espinho. Não
segura apertado na mão não porque ela também vai sangrar. É pior se alguém
puxar. Eu sei que nos apegamos ao que também nos faz sofrer. Ao que dói. Ao que
sangra. Ao que faz arder sem prelúdios de adeus. Sofremos, choramos, e pior de
tudo: gostamos. Aquele amor sofrido de quem tem muita, muita pressa de se
sentir amado por alguém que não é você mesmo. Quanto mais sofrido, melhor.
Quanto mais machuca e arde, mais faz suspirar e querer? Será um ciclo doloroso
que nunca tem fim? Estamos sobrevivendo de sentimentos saudáveis? O que
ansiamos? Uma cura imediata do sentir? No fundo, queremos fazer brotar o desdém
para não sentir mais nada? Será mais fácil apenas passar pela vida, protegendo
o coração de sei lá o quê? De tanto sentir, de tanto espernear, de tanto
sangrar, de tanto chorar, de tanto se rasgar, de tanto sofrer pra, no fundo, a
nossa real vontade ser a de secar? De esgotar? De nunca mais sentir de novo?
Acredito que até entendermos o que realmente se passa com nosso coração ficamos na perspectiva de nos correspondermos de forma involuntária e subjetiva. Por essência, somos seres que acreditamos criar as melhores condições pra estar bem pra receber uma pessoa ou um acontecimento. Nos ansiamos completude. É comum conhecer alguém que nos cause uma sensação de não pertencimento, que nos faz ficar sem chão e "na mão" do outro. Nesse caso essa força é dada através da beleza que a pessoa te inspira. Se nao inspira, acaba nao sendo tão belo assim. É difícil não querer sentir de novo tudo isso. Pq isso nos faz crescer. A questão é ter alguém no caminho que esteja no mesmo grau evolutivo de espiritualidade. Gosto das tuas reflexões! Parabéns pelo texto!
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