domingo, 12 de agosto de 2018

Furacão

Ando lembrando bem de você. Do modo como você me fazia sentir. Não sei o porquê disso agora; já passou tanto tempo. Nosso período juntos foi tão curto, mas foi o suficiente pra fazer brilhar, explodir e magoar. Você foi a prova viva, deliciosa e dolorosa de que o tempo não mensura sentimento. Como um furacão desgovernado, você veio e deixou vestígios em mim. Eu já sabia que eu brincava com fogo e que mais cedo ou mais tarde eu iria me queimar. E feio. Eu abri os braços e deixei você bater com tudo bem no meu peito. Eu vi a ventania de longe, desde o primeiro dia. Fiquei igual criança olhando boquiaberta para o vento doido que fazia redemoinho na terra. Ao invés de correr pra longe, corri pra perto, pra dentro do vento. Pro olho do furacão. E lá fiquei. E ainda estou.

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